Família
A
família é ou deve ser a célula mater da
sociedade.
Uma
família organizada e unida completa a educação primária, que é sua função,
transmitindo aos filhos, segurança, independência, e autonomia.
A
etimologia da palavra família deriva de famulus, do latim e significa servente ou escravo. Na Roma antiga ela
se referia ao conjunto de escravos e bens que pertenciam ao mesmo senhor.
Com o
tempo o termo expandiu-se para incluir a esposa e os filhos e todos os demais
parentes que viviam sobre o mesmo teto.
Na idade media com a influencia religiosa perdeu o sentido de posse e
ficou a focar na consanguinidade e no afeto.
Para
o estoicismo o amor e o dever familiar são os primeiros laboratórios da nossa
virtude.
Se
sairmos da filosofia e entrarmos na psicologia analítica de Jung, a família passa
a ser um tecido de projeções arquetípicas como pai, mãe e irmãos, cada um com
sua persona social. No entanto também consideramos família não somente a de
sangue, mas aquelas que possuem interesses comuns como amigos e certas
instituições e relacionamentos de todos os tipos e sexos, pois não somos escolhidos
ao nascer, mas escolhemos ao longo da vida podendo ser adotivos ou não.
No
entanto numa família problemática, individualista, com vícios e desunida, onde
os pais principalmente não se amam e não amam os filhos, ou amam materialmente
e não espiritualmente, a possibilidade de se ter filhos com problemas é muito
maior. Problemas todos nós temos, mas devemos tentar resolvê-los, na medida do
possível, caso contrario eles se acumulam, e aí fica muito mais complicada a
solução.
A
principal função da família é transmitir a educação primária, a base do alicerce,
e a da escola é a transmissão da educação secundária, mas a família diz que a
escola não educa como se deve e a escola diz que a família não educa mais, não
adianta jogarmos a responsabilidade de um para outro, ambos tem
responsabilidades, e se cada um fizer a sua parte, todos ganham.
Educar é muito difícil, principalmente nos dias de hoje, com os
estímulos das redes sociais que as crianças e os adolescentes recebem
diariamente, mas existem princípios básicos para uma boa educação geral que são:
Autoridade do adulto, mas sem autoritarismo.
Disciplina, com
ordem e organização sem excessos ou punições infrutíferas.
Limites, saber dizer sim e o não no memento adequado e com
responsabilidade.
Amor, querendo o bem do outro.
Carinho, com sinceridade e reconhecimentos.
Atenção, com toques
e qualidade de tempo e não quantidade material.
Respeito, sempre mutuo, e com bons exemplos.
Tudo isso temperado com muito DIÁLOGO e paciência.
Liberdade com responsabilidade também é muito importante, pois os filhos
não pediram para nascer, uma vez que foram colocados no mundo cabe aos pais lhes
transmitir educação, cultura, religião, saúde etc., de outro lado os filhos
também, precisam compreender que a vida está muito difícil, e precisam
colaborar com os pais. Ouça a musica Pais e filhos.
Com a
violência e impunidade reinante, ninguém está seguro, como vemos nos acontecimentos
e barbaridades cometidas por menores ou maiores infratores impunes e
psicopatas.
Uma
relação saudável não deve ser como um jogo de tênis que é competitivo e sim jogo
de frescobol, cooperativo.
As
famílias modernas e saudáveis se mantem unidas pela complexidade das relações e
não apenas por mera subsistência econômica e imposição legal, podendo haver
conflitos e são vários, mas devem ser resolvidos pela família, apesar de que
após a pandemia de Covid19, as pessoas estão mais individualistas e egoístas,
no cada um por si, colocando em risco a união pelo amor parental. Somente o
tempo dirá como será a evolução ou não da humanidade.
Os
conflitos familiares não nasce da falta de amor, e sim na incapacidade de
expressa-lo ou de negociar diferenças, sem projeções parentais, sobrecargas de
papeis, conflitos geracionais, mas sempre com respeito com o ciclo familiar sem
abandonos em qualquer idade quer seja na infância ou na terceira idade.
A
responsabilidade de educar é de todos, para todos, quer sejam crianças,
adolescentes, jovens, adultos ou idosos, não percamos a esperança.
A
sociologia e o direito moderno migraram do modelo patrimonial para o modelo
eudemonista entre outros.
Existem
várias configurações familiares, as monoparentais, as reconstituídas,
homoafetivas etc.
As
instituições humanas não são estáticas, mas devem evoluir para laços mais
profundos de cuidado e identidade humana, sempre com muito AMOR...
Devemos educar e receber educação sempre, de preferencia unidos, como no
feixe de Esopo.
Marco Antonio Garcia
Psicólogo e psicoterapeuta