segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 

Família

 

                       A      família é ou deve ser a célula mater da sociedade.

                     Uma família organizada e unida completa a educação primária, que é sua função, transmitindo aos filhos, segurança, independência, e autonomia.

                    A etimologia da palavra família deriva de famulus, do latim e significa servente ou escravo. Na Roma antiga ela se referia ao conjunto de escravos e bens que pertenciam ao mesmo senhor.

                    Com o tempo o termo expandiu-se para incluir a esposa e os filhos e todos os demais parentes que viviam sobre o mesmo teto.  Na idade media com a influencia religiosa perdeu o sentido de posse e ficou a focar na consanguinidade e no afeto.

                    Para o estoicismo o amor e o dever familiar são os primeiros laboratórios da nossa virtude.

                    Se sairmos da filosofia e entrarmos na psicologia analítica de Jung, a família passa a ser um tecido de projeções arquetípicas como pai, mãe e irmãos, cada um com sua persona social. No entanto também consideramos família não somente a de sangue, mas aquelas que possuem interesses comuns como amigos e certas instituições e relacionamentos de todos os tipos e sexos, pois não somos escolhidos ao nascer, mas escolhemos ao longo da vida podendo ser adotivos ou não.

                     No entanto numa família problemática, individualista, com vícios e desunida, onde os pais principalmente não se amam e não amam os filhos, ou amam materialmente e não espiritualmente, a possibilidade de se ter filhos com problemas é muito maior. Problemas todos nós temos, mas devemos tentar resolvê-los, na medida do possível, caso contrario eles se acumulam, e aí fica muito mais complicada a solução.  

                  A principal função da família é transmitir a educação primária, a base do alicerce, e a da escola é a transmissão da educação secundária, mas a família diz que a escola não educa como se deve e a escola diz que a família não educa mais, não adianta jogarmos a responsabilidade de um para outro, ambos tem responsabilidades, e se cada um fizer a sua parte, todos ganham.

                   Educar é muito difícil, principalmente nos dias de hoje, com os estímulos das redes sociais que as crianças e os adolescentes recebem diariamente, mas existem princípios básicos para uma boa educação geral que são:

 

                            Autoridade do adulto, mas sem autoritarismo.

                            Disciplina, com ordem e organização sem excessos ou punições infrutíferas.

                            Limites, saber dizer sim e o não no memento adequado e com responsabilidade.

                           Amor, querendo o bem do outro.

                           Carinho, com sinceridade e reconhecimentos.

                            Atenção, com toques e qualidade de tempo e não quantidade material.

                             Respeito, sempre mutuo, e com bons exemplos.

                             Tudo isso temperado com muito DIÁLOGO e paciência.

 

                  Liberdade com responsabilidade também é muito importante, pois os filhos não pediram para nascer, uma vez que foram colocados no mundo cabe aos pais lhes transmitir educação, cultura, religião, saúde etc., de outro lado os filhos também, precisam compreender que a vida está muito difícil, e precisam colaborar com os pais. Ouça a musica Pais e filhos.

                 Com a violência e impunidade reinante, ninguém está seguro, como vemos nos acontecimentos e barbaridades cometidas por menores ou maiores infratores impunes e psicopatas.

                Uma relação saudável não deve ser como um jogo de tênis que é competitivo e sim jogo de frescobol, cooperativo.

                    As famílias modernas e saudáveis se mantem unidas pela complexidade das relações e não apenas por mera subsistência econômica e imposição legal, podendo haver conflitos e são vários, mas devem ser resolvidos pela família, apesar de que após a pandemia de Covid19, as pessoas estão mais individualistas e egoístas, no cada um por si, colocando em risco a união pelo amor parental. Somente o tempo dirá como será a evolução ou não da humanidade.

                    Os conflitos familiares não nasce da falta de amor, e sim na incapacidade de expressa-lo ou de negociar diferenças, sem projeções parentais, sobrecargas de papeis, conflitos geracionais, mas sempre com respeito com o ciclo familiar sem abandonos em qualquer idade quer seja na infância ou na terceira idade.

                     A responsabilidade de educar é de todos, para todos, quer sejam crianças, adolescentes, jovens, adultos ou idosos, não percamos a esperança.

                 A sociologia e o direito moderno migraram do modelo patrimonial para o modelo eudemonista entre outros.

                    Existem várias configurações familiares, as monoparentais, as reconstituídas, homoafetivas etc.

                    As instituições humanas não são estáticas, mas devem evoluir para laços mais profundos de cuidado e identidade humana, sempre com muito AMOR...

                        Devemos educar e receber educação sempre, de preferencia unidos, como no feixe de Esopo. 

                     

 

 

Marco Antonio Garcia

Psicólogo e psicoterapeuta

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estoicismo

 

          Estoicismo é uma escola filosófica pratica que surgiu na Grécia antiga, por volta de 300 A.C, fundada por Zenão de Cítio, entre outros, com origem em Atenas, sua etimologia é fascinante, pois se refere ao local onde seus fundadores ensinavam, deriva de Stoa Poikile que significa pórtico pintado, colunata ou galeria coberta. Os filósofos da época se reuniam no” Pórtico pintado”, uma galeria publica na Àgora de Atenas.

          Focado na logica, ética e virtude diante das incertezas, respeitando as leis da natureza, sendo seus expoentes, Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio e que até hoje influencia nossa cultura, pregando como viver bem e com resiliência.

          O conceito central é ter o controle dicotômico, entre o que depende de nós e o que não depende, assim como na oração da serenidade. O que depende de nós são nossos pensamentos, sentimentos, intenções, valores e ações. O que não depende de nós são o clima, a opinião dos outros, nosso passado que é imutável, a economia e a morte.

          Como na regra de ouro que diz que não devemos fazer ao outro o que não gostaríamos que fizessem conosco.

          Sofremos quando não temos mais prazeres efêmeros, e tentamos controlar o que não conseguimos, assim não temos a paz interior. Como diz o budismo com relação aos apegos materiais.

          Busquemos as quatro virtudes cardiais.

          Sabedoria, saber agir em situações complexas, com inteligência emocional.

          Coragem que é o medo que devemos enfrentar física e moralmente perante a verdade mesmo que relativa.

          Justiça tratando os outros com equidade em prol do bem comum.

          Temperança com autocontrole e moderação sem repentes impulsivos, que são os mais difíceis de serem controlados.

          Como enfrentar tudo isso!

          Prospectar o que pode dar errado, pensando no pior para amenizar e se preparar reduzindo e diluindo a ansiedade para poder agir.

          Não aceitar apenas o que acontece, mas enfrentar a realidade e superando os obstáculos com amor pela vida.

          Viver o presente mesmo que efêmero, um dia por vez, planejando o futuro e aprendendo com o passado, pois já nascemos com um pé na cova, o outro não sabemos quando iremos coloca-lo.

          Atualmente o estoicismo é utilizado pela T.C.C.(terapia cognitiva comportamental), para mantermos o foco e clareza mental diante das adversidades possíveis de serem encaradas sem panaceia.

          Podemos utilizar o estoicismo atualmente, mantendo a clareza mental em um mundo caótico. Assim sabemos o que podemos fazer ou não, principalmente no trabalho, pois você pode muito, mas não pode tudo, sabemos que nem tudo depende de você, e sem perder o controle, sendo resiliente e aplicando as técnicas de respiração e relaxamento mental, para enfrentar aqueles que exigem de você o que nem eles sabem fazer, projetando suas incompetências em você,

          Saibamos interpretar os fatos não reagindo de forma impulsiva, respire e pense com o coração, e racionalmente na resposta, ou num silencio consciente. As coisas não são como se apresentam realmente, são como os outros querem que sejam muitas vezes. Muitas pessoas não têm limites e disciplina, querendo que você resolva os problemas dela, assim como diz o ditado, cada um com seu problema, pois temos os problemas que precisamos ou merecemos para evoluir, busque a solução e não aumentando o conflito.

          Reflita e diga como posso usar tudo isso a meu favor.

          O tempo é o senhor da razão, não apresse o rio, pois ele corre sozinho, evite uma tempestade criando uma enchente devastadora, não interfira na natureza, ela veio antes de nós e sobrevivera a nós.

          Paz, amor, saúde e felicidade, que tudo seja infinito enquanto durar...

 

Marco Antonio Garcia

Psicólogo e psicoterapeuta Junguiano...

         

 

 

Lutos

 

O luto é um processo que envolve sentimentos de perda importante e com forte carga emocional para as pessoas, podendo ser individual ou coletivo, mas cada um sentira de forma diferente dependendo da proximidade, intensidade e causa da perda.

O luto não deve ser reprimido e sim vivenciado e elaborado aos poucos, para que não se desestruture psicologicamente, podendo passar por fortes crises de fuga ou negação da realidade.

O luto pode ser pré-morte com cuidados paliativos, ou pós-morte, dependendo do sofrimento do doente e da família.

Tem também o luto por perdas ou mudanças, como emprego, relacionamentos, amigos, separações, entre outros.

O luto depende da época e cultura, existem culturas atuais que reverenciam a morte, festejando-a.

A morte é a única certeza da vida, só não sabemos quando, como e onde. Por mais conscientes que sejamos ainda não estamos preparados para a morte e a perda de um ente ou situação querida, independente da idade ou importância social.

Por isso que as mudanças e as perdas são inevitáveis, o que fica é a saudade.

Para se lidar com o luto, que é pessoal, é preciso ter respeito com a dor do outro, uns choram outros não, sendo preciso dar tempo ao tempo, assim aos poucos perdemos os medos e aceitamos se adaptando a nova situação. Deve-se falar sobre a perda com pessoas próximas diluindo aos poucos os sentimentos, percebendo que ate nos sonhos a pessoa aparece , sendo uma compensação do psiquismo para nos ajudar na superação.

Durante o luto pode-se ter crises de ansiedade, choro, depressão insônia, raiva, ou desanimo, mas é preciso enfrentar, pois a vida continua para quem fica.

Estudos mostram que o luto passa por etapas, desenvolvido pela psiquiatra Elisabeth Kubler Ross em 1969, O luto não é um processo linear, as pessoas não passam necessariamente por todas as fases, mas seguem uma ordem, que são:

Negação, nesta fase inicial a pessoa tenta evitar falar do fato, fugindo não aceitando a perda.

Raiva, ficando irritado, revoltado se questionando em busca de culpados, se frustrando a partir daí, percebendo que não adianta negar o acontecido, e não vai mudar o que passou.

Barganha, negociando consigo ou com Deus, ou outra crença se tiver ou não, querendo compreender, criando um acordo com a realidade, para tentar retomar o controle, mas aos poucos vai aceitando a realidade.

Depressão, de tanto sofrer, ficar triste, chorar, fica fragilizado por lutar contra os medos interiores, aos poucos aceita a perda, se recuperando, e refletindo sobre a realidade.

Aceitação, aos poucos supera, aceitando que a vida continua, ficando a saudade, voltando à realidade, sabendo que cada caso é um caso e cada um tem seu tempo. Seguir em frente superando, mas não esquecendo totalmente, ficando a saudades e os legados.

 

A psicologia entende que o luto é uma experiência individual, como as ondas do mar...

Já nascemos com um pé na cova, o outro não sabemos quando vamos colocar.

Perdoar e se perdoar ajuda na aceitação.

Se não conseguir superar sozinho ou com ajuda de pessoas do seu meio, procure ajuda profissional, porque viver em luto e sofrendo não vale a pena.

O seu dia também chegará...

 

 

                                    TUDO PASSA, TUDO PASSARÁ

 

Marco Antonio Garcia

Psicólogo e Psicoterapeuta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vida após a morte!

          Vocês acreditam na vida após a morte?

          Eu não sei, mas vou comentar as varias correntes cientificas filosóficas e religiosas para tentar refletir sobre o tema.

                       A única certeza que temos ao nascer é que vamos morrer, e mesmo assim é um dos maiores temores da humanidade.

                       Porque será?

                      Será devido às questões existenciais que indagamos como:

De onde viemos?

     O que fazemos aqui?

Para onde iremos?

                       As Religiões, a ciência, a Mitologia, as Filosofias de vida, as Seitas e as Ordens, procuram dar explicações para essa questão mortal, talvez para aliviar e amenizar o sofrimento humano. O animal humano provavelmente é o único que tem consciência da sua existência e a necessidade da divindade, devido a grande insegurança pessoal.

                        Vivemos para morrer e morremos para dar significado á uma possível vida eterna com legados deixados.

                    A morte é um dia que vale a pena viver, diz Ana Claudia Q. Arantes em seu livro.

                          O sentimento de perda das pessoas próximas envolve solidão, insegurança, saudades, lutos, legados, culpas, angustias, abandono. O processo de Individuação bem compreendido nos ajuda a aceitar e nos preparar para a morte, na metanóia da vida. Verificamos em consultório que crianças, adolescentes, adultos e idosos tem medo da morte, cada um do seu modo de ver.

                           Para alguns a morte pode ser o fim de um período de sofrimento devido à tensão excessiva, para outros pode ser a transformação, a passagem à continuidade para a vida eterna. Outros morrem para viver na memória daqueles que o admiravam e idolatravam, outros morrem anonimamente e indigentemente.

                           A Morte, décimo terceiro arcano do Tarô, é um símbolo ambivalente onde vida e morte se completam. A morte pode ser a suprema libertação e transformação das coisas.

                           Na mitologia grega, a morte (Tânato), fazia-se filha da noite e irmã do Sonho, e relaciona-se com o elemento terra.

                           Somos poeira interestelar, sendo o macrocosmo em nosso corpo como microcosmo, do pó viemos ao pó retornaremos,

                              C.G. Jung acreditava que a psique inconsciente ignora a morte como sendo um fim, e que os sonhos continuam a ocorrer como se nada estivesse por acontecer, e o processo de individuação fosse o sentido da vida independente da morte estar ou não a caminho. No entanto existem situações prospectivas onde o inconsciente não ignora a aproximação da morte, é quando o sonhador tenta forjar ilusões para si mesmo a respeito do fim eminente, diz M.L.Von Franz.

                         Sonhos com morte são comuns, podem ser assustadores, mas raramente seu significado é a morte, podem anunciar mudanças e transformação em nossas vidas, preste atenção nos sonhos e em suas mensagens simbólicas.

          Vou apresentar algumas perspectivas do que pode acontecer depois.

          Para a ciência convencional, a morte é um evento biológico definitivo, com a cessação da consciência.

          Existem as experiências de quase morte, explicadas como reações químicas do cérebro em colapso ou ida a outro lugar muitas vezes muito bom.

          As filosofias focam a natureza do eu, como no dualismo, materialismos e existencialismo,

          As correntes religiosas variam de cultura para cultura. No Judaísmo, Cristianismo e no Islamismo, a ideia é comum na ressureição e no juízo final.

          A reencarnação é vista tanto no hinduísmo, budismo e no espiritismo.

           Não tenho respostas sobre a morte e sim reflexões, como:

            Será que a vida é eterna?

            Será que somente nós existimos neste Universo?

            Será que somos parte de um todo existencial infinito no tempo e no espaço?

            

             Só sei que nada sei, como dizia Sócrates, e que devemos ser e fazer o melhor aqui e agora, sem se angustiar pelo passado e nem sofrer ansiosamente pelo futuro.  Se existir algo além vai depender do que fizemos aqui, se não existir pelo menos fizemos o melhor que pudemos e que cada um pague suas dividas.

                               Nascemos e morremos e entre esse período temos a vida existencial, façamos da vida o melhor momento no presente sem muitas incertezas pelo futuro, pois só temos a certeza do passado. O presente é efêmero, por isso vivamos um dia por vez. Espero que todos paguem a conta do que fizeram aqui, reforço novamente.

          Quem for primeiro volte para nos contar, se for possível.

          Todos nascemos com um pé na cova, o outro não sabemos quando vamos colocar.

          Será que tememos a morte ou como e quando vamos morrer. Só sei que todos estamos na fila, alguns furam essa fila e outros aguardam sua vez, e caixão não tem gavetas e dessa visa não se leva nada, vamos sorrir e cantar, como dizia Silvio Santos.

                           Na natureza nada se perde nada se cria, tudo se transforma, reflita...

                           Muita paz e amor a todos na vida e na Morte. 

          Que cada um reflita sobre as sua vida existencial, pois a morte é certa...

 

Marco Antonio Garcia

Psicólogo Clinico e psicoterapeuta Junguiano

  Família                          A       família é ou deve ser a célula mater da sociedade.                      Uma família organ...