ARTIGO PARA O JORNAL “O SEMANÁRIO DA ZONA
NORTE”
CINISMO
O cinismo é uma corrente filosófica
que surgiu na Grécia antiga por volta do século IV A.C.. A palavra deriva do
grego kynikos, significando “como um cão”.
Seu fundador é considerado Antístenes,
que foi aluno de Sócrates, embora Diógenes de Sinope foi seu maior expoente. Conta-se
que ele vivia em um barril de barro e levava uma vida de muita simplicidade,
agindo como fosse um cão, da época e não atualmente, para mostrar a sociedade
que a felicidade não dependia de ter e sim de ser.
Diferente de outras escolas
filosóficas, o cinismo era pratica, pois seus seguidores buscavam a felicidade
através da autossuficiência, mostrando que você não precisaria de nada além de
si para ser feliz, sem apegos a riquezas, poder, pois estes aprisionam a alma.
Os cínicos da época falavam as
verdades livremente para qualquer um nas ruas sem medo de punições. Respeitavam
as leis, as etiquetas e os luxos, mas as consideravam artificiais e hipócritas.
Treinavam o corpo e a mente para suportar o frio, a fome, para fortalecer o
espirito.
No entanto não confundamos o cinismo
filosófico grego com o conceito moderno.
Acredita-se que o Grande Alexandre ,
quando encontrou Diógenes descansando ao sol lhe perguntou se poderia realizar algum
desejo seu, e Diógenes respondeu “Saia da frente do meu sol”, o que deixou
Alexandre, impressionado com a liberdade daquele homem.
O cinismo foi influenciado pelo
Estoicismo, que defendia a ideia de que a virtude é o maior caminho para a felicidade.
No entanto muito diferente da visão moderna
do que entendemos por cinismo. Enquanto que o cinismo antigo pregava a virtude
e a liberdade moral, no moderno é visto como autodefesa e desilusão, desprezo
pelas posses materiais, versus descrença na sinceridade alheia, viver de forma simples
e honesta versus usar a ironia e o sarcasmo. Outras
características do cinismo são: desconfiança dos outros, descaramento, oportunismo.
Outra passagem da vida de Diógenes, é
que ele passava o dia com uma lanterna, dizendo estar procurando um Homem verdadeiro,
que vivesse com honestidade e sem mascaras sociais.
Poderia continuar procurando até hoje...
Um pouco diferente do cinismo, o
estoicismo diz que você pode ter riquezas desde que não seja escravo delas.
Para os cínicos o sofrimento não era
algo a ser evitado a todo custo, mas sim ser redefinido como uma ferramenta de
libertação, sendo o que pregamos até hoje no processo terapêutico. Sofremos
porque nos apegamos aos bens materiais, e esquecemos que caixão não tem gavetas
e nem somos faraós.
No cinismo moderno é frequentemente
visto com uma postura de desilusão e apatia, com dificuldades de mudanças.
O cínico contemporâneo e aquele que
acredita ter visto de tudo, tentando se proteger das decepções políticas e
sociais para não se frustrar. Usa também
a ironia e o sarcasmo para se manter distante das questões serias sem o
comprometimento emocional.
Na obra Critica da razão cínica, o
cinismo é uma falsa consciência esclarecida do saber, mas agindo como não
soubesse.
Enfim precisamos ser cínicos às vezes,
conscientes, sabendo o que fazemos, mas continuamos fazendo mesmo assim.
Não confundir também cinismo com
ceticismo.
Afinal somos animais sociais em
evolução eterna...
Marco
Antonio Garcia
Psicólogo
Clinico