terça-feira, 31 de março de 2026

 

 ARTIGO PARA O JORNAL “O SEMANÁRIO DA ZONA NORTE”

 

 

CINISMO

 

          O cinismo é uma corrente filosófica que surgiu na Grécia antiga por volta do século IV A.C.. A palavra deriva do grego kynikos, significando “como um cão”.

          Seu fundador é considerado Antístenes, que foi aluno de Sócrates, embora Diógenes de Sinope foi seu maior expoente. Conta-se que ele vivia em um barril de barro e levava uma vida de muita simplicidade, agindo como fosse um cão, da época e não atualmente, para mostrar a sociedade que a felicidade não dependia de ter e sim de ser.

          Diferente de outras escolas filosóficas, o cinismo era pratica, pois seus seguidores buscavam a felicidade através da autossuficiência, mostrando que você não precisaria de nada além de si para ser feliz, sem apegos a riquezas, poder, pois estes aprisionam a alma.

          Os cínicos da época falavam as verdades livremente para qualquer um nas ruas sem medo de punições. Respeitavam as leis, as etiquetas e os luxos, mas as consideravam artificiais e hipócritas. Treinavam o corpo e a mente para suportar o frio, a fome, para fortalecer o espirito.

          No entanto não confundamos o cinismo filosófico grego com o conceito moderno.

          Acredita-se que o Grande Alexandre , quando encontrou Diógenes descansando ao sol lhe perguntou se poderia realizar algum desejo seu, e Diógenes respondeu “Saia da frente do meu sol”, o que deixou Alexandre, impressionado com a liberdade daquele homem.

          O cinismo foi influenciado pelo Estoicismo, que defendia a ideia de que a virtude é o maior caminho para a felicidade.

          No entanto muito diferente da visão moderna do que entendemos por cinismo. Enquanto que o cinismo antigo pregava a virtude e a liberdade moral, no moderno é visto como autodefesa e desilusão, desprezo pelas posses materiais, versus descrença na sinceridade alheia, viver de forma simples e honesta versus usar a ironia e o sarcasmo.           Outras características do cinismo são: desconfiança dos outros, descaramento, oportunismo.

          Outra passagem da vida de Diógenes, é que ele passava o dia com uma lanterna, dizendo estar procurando um Homem verdadeiro, que vivesse com honestidade e sem mascaras sociais.

          Poderia continuar procurando até hoje...

          Um pouco diferente do cinismo, o estoicismo diz que você pode ter riquezas desde que não seja escravo delas.

          Para os cínicos o sofrimento não era algo a ser evitado a todo custo, mas sim ser redefinido como uma ferramenta de libertação, sendo o que pregamos até hoje no processo terapêutico. Sofremos porque nos apegamos aos bens materiais, e esquecemos que caixão não tem gavetas e nem somos faraós.

          No cinismo moderno é frequentemente visto com uma postura de desilusão e apatia, com dificuldades de mudanças.

          O cínico contemporâneo e aquele que acredita ter visto de tudo, tentando se proteger das decepções políticas e sociais para não se frustrar.  Usa também a ironia e o sarcasmo para se manter distante das questões serias sem o comprometimento emocional.

          Na obra Critica da razão cínica, o cinismo é uma falsa consciência esclarecida do saber, mas agindo como não soubesse.

          Enfim precisamos ser cínicos às vezes, conscientes, sabendo o que fazemos, mas continuamos fazendo mesmo assim.

          Não confundir também cinismo com ceticismo.

          Afinal somos animais sociais em evolução eterna...

 

Marco Antonio Garcia

Psicólogo Clinico

 

         

         

 

 

 

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